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Poema: Pampa e Cerrado – Valdomiro Melo ( Raul Canal)

Clipe Inicial: As Gaitas do Rio Grande – Chiquito e Bordoneio

 

Zé Mulato e Cassiano – (61)93301-1267

José das Dores Fernandes, nascido em 12 de agosto de 1949, e João Monteiro da Costa Neto, nascido em 19 de abril de 1955, que adotaram os nomes artísticos “Zé Mulato e Cassiano” formam nos dias de hoje a mais autêntica dupla caipira brasileira. Combinando, o romantismo da dupla “Zé Carreiro e Carreirinho”, o modo de tocar a viola que nos faz lembrar “Tião Carreiro e Pardinho” e também o bom humor que nos faz lembrar das inesquecíveis sátiras das saudosas duplas Alvarenga e Ranchinho e Jararaca e Ratinho, “Zé Mulato e Cassiano” formam o que conhecemos como a “Dupla Três em Um”.

Como se já não bastassem tantas qualidades juntas, Zé Mulato é também um verdadeiro poeta que consegue, mesmo nos dias de hoje, mostrar-nos os verdadeiros anseios, sentimentos, alegrias, tristezas e verdades do nosso mundo rural, do nosso caipira. A poesia que Zé Mulato extrai desse mundo, explorando tanto os temas mais simples, como também os temas mais profundos e ligados à reflexão da “complexa existência humana”, faz dele um dos maiores compositores da música caipira raiz que conhecemos atualmente, em atividade!

Zé Mulato também compôs uma belíssima página musical juntamente com o saudoso Xavantinho e teve nele um parceiro fiel e igualmente talentoso para a recriação e preservação do universo do nosso riquíssimo e inesgotável Folclore.

Filhos de um líder protestante na cidade de Passa Bem-MG, onde nasceram (cidade que se localiza na Zona da Mata Mineira, próximo à Itabira-MG), os irmãos Zé Mulato e Cassiano adquiriram o conhecimento musical vendo e ouvindo o que acontecia ao seu redor durante a infância.

Aos 12 anos, Zé Mulato começou a tocar sozinho, pegando violas emprestadas em festas que tinham lugar em Passa Bem-MG. Tentava “dar uma canja” e os mais velhos o repeliam (“Êh menino enjoado!…”). O menino só sossegou quando conseguiu uma viola da marca “Rei dos Violões” (hoje Zé Mulato toca uma Viola da marca ADEN, fabricada pelo Sr. João Alves e seu filho Alexandre, em Brasília, onde a dupla reside atualmente).

E tudo começou em 1972, no Planalto Central: Zé Venâncio e Saulino (hoje não mais existentes como dupla) tinham sido contratados para uma apresentação em praça pública, por ocasião da inauguração de uma farmácia na “Cidade Satélite” de Ceilândia no Distrito Federal e, no início do espetáculo, surgiram no meio daqueles maravilhosos “Candangos”, dois jovens mineiros simpáticos e bastante desinibidos. O mais alto dos dois, “com a maior cara-de-pau”, chegou para os titulares do show dizendo:

“Eu e meu irmão gostamos de bater uma violinha, quem sabe vocês deixa nós cantar uma Moda no show dos “ceis”, nós nunca cantemo assim pra tanta gente…”.

E os dois mineirinhos até então desconhecidos fizeram a abertura da festa e foram bastante aplaudidos pelo público presente. Iniciava-se naquele momento a trajetória artística desses dois monstros dagrados da música caipira!

Seis anos depois, Adauto Ezequiel, o Carreirinho, que ficara encantado com a semelhança observada na interpretação de Zé Mulato e Cassiano com a dupla “Zé Carreiro e Carreirinho”, levou-os para a capital paulista e, naquele momento, foi gravado o primeiro disco da dupla (“Recordando Zé Carreiro e Carreirinho” – pela “Discos Chororó / Madrigal Com. de Discos, Fitas e Editora” – 1978), com o repertório todinho da dupla imitada, tendo o disco contado com a produção do próprio Carreirinho

Vale lembrar também que, ainda na década de 70, os mineiros de Passa Bem-MG também cantavam no programa “Ranchinho da Palha” na Rádio Alvorada de Brasília, onde tinham passado a morar.

A dupla vem crescendo no conceito dos amantes da música caipira de raiz e, a cada trabalho, a dupla se realiza, tanto no disco como também nas apresentações por esse imenso Brasil afora. Zé Mulato e Cassiano são aplaudidos e respeitados, não só pela bela e afinada interpretação, como também pela qualidade de Zé Mulato como excelente compositor e poeta.

A dupla chegou a passar vários anos à procura de uma gravadora; depois de 1982 quando foi lançado o LP “Louco Amor” pela Tocantins, a dupla só voltou a gravar um novo disco de carreira em 1997, “Meu Céu”, pela gravadora Velas, agraciado com o Prêmio Sharp 1998. Entre esses dois lançamentos, eles participaram da coletânea “Ao Capitão Furtado – Marvada Viola” lançada em LP em 1986 e remasterizada em CD em 1997. No entanto, jamais cederam aos “interesses comerciais que tanto podam a criatividade do artista”.

Sempre preferiram a concepção original de música caipira e, como conseqüência, permanecem “longe das gravadoras” devido à pejorativa “revolução” da “chamada música sertaneja”, a qual resultou na falta de purismo das duplas que usam na atualidade a instrumentação eletrônica; os dois irmãos da Zona da Mata Mineira mencionaram que “…as gravadoras queriam nos “bregar”. Mas fazemos questão de conservar nosso purismo. Não quero ser sofisticado e podem me chamar de conservador neste sentido. Modernizar, para mim, é aprender mais e tocar melhor”, declarou Zé Mulato que também menciona que a dupla não é “escrava da moda nem da mídia”. “As letras mostram que ser caipira é uma opção, não é matutismo ignorante. Elas falam de humor, paixão e protesto. Tem até gozação com uma dupla que falou que “éramos quadrados”. Fazemos o que gostamos. Ficar com um pé lá e outro cá é “prostituição cultural”…”

E mesmo nesse período sem lançamentos, Zé Mulato e Cassiano não deixaram de fazer shows por esse imenso Brasil, transmitindo a verdadeira Música Caipira Raiz em todos os lugares por onde passaram. Sempre fiéis ao estilo, receberam também a ajuda de Pena Branca e Xavantinho que foi quem os apresentou à gravadora Velas.

“A gente fica satisfeito vendo a garotada de 16, 18, 20 anos, que vai aos nossos shows se aproximar do palco e pedir mais moda de viola. É sinal que nem tudo tá perdido. Somos fiéis a esse tipo de música, que já nos deu um Prêmio Sharp, pelo CD anterior (Meu Céu)”. Comemora Zé Mulato em entrevista concedida ao Jornal “Correio Brasiliense”.

“Somos caipiras com muita honra!”

Zé Mulato e Cassiano são considerados como a melhor e mais autêntica dupla caipira raiz da atualidade e, quem realmente gosta de duplas caipiras consagradas tais como “Raul Torres e Florêncio”, “Tonico e Tinoco”, “Tião Carreiro e Pardinho” ou “Pena Branca e Xavantinho”, não deve jamais deixar de conhecer o trabalho dos irmãos mineiros que vivem atualmente no Planalto Central.

No início de 2004, por ocasião do IV Encontro de Folias de Reis do Distrito Federal, foi lançado pela excelente produtora VBS – Viola Brasileira Show, o CD 25 Anos, no momento em que a dupla também comemorou o Jubileu de Prata do lançamento do primeiro disco (“Recordando Zé Carreiro e Carreirinho”) e que contou com a produção do próprio Carreirinho.

E, no segundo semestre de 2005, foi lançado o 10º. disco de carreira de Zé Mulato e Cassiano, intitulado “Dias Melhores”, com 17 composições inéditas até então, a dupla nos brinda mais uma vez com um excelente trabalho musical, com destaque para a faixa-título “Dias Melhores” (Zé Mulato), “Quando Deus Dá a Farinha” (Zé Mulato) e também a bem-humorada “O Drama da Dieta” (Zé Mulato e Cassiano), além da igualmente bem humorada crítica à política em “Mensalão” (Zé Mulato e Cassiano).

E a VBS – Viola Brasileira Show acabou de lançar o excelente álbum triplo em comemoração aos 30 anos de carreira da dupla “Zé Mulato e Cassiano”, que consiste num CD com músicas cantadas, todas inéditas (“Sertão Ainda é Sertão”), além de um CD instrumental com a dupla tocando viola e violão (“Zé Mulato e Cassiano – Instrumental”) e um DVD-Documentário dos 30 anos de carreira da dupla (“Documentário – 30 Anos”).

De acordo com Volmi Batista, empresário da Dupla, “Zé Mulato e Cassiano continuam prestando serviço de utilidade pública ao Brasil por meio da música. Depois de satirizar as diversas fases da potência masculina, em ‘O Homem e a Espingarda’, ironizar o gesto do Ex-Presidente Fernando Henrique, que chamou o povo brasileiro de caipira, sugerindo ser um povo atrasado em ‘Navegante das Gerais’, sugerir uma receita prática para o problema de obesidade em ‘O Drama da Dieta’, lança agora no seu mais recente disco com músicas inéditas ‘O Doutor dos Anéis”, uma bem humorada conversa musicada entre dois caipiras sobre o preconceito com relação ao exame da próstata, o famoso ‘toque’…”

E, como se tudo isso não bastasse, no CD “Zé Mulato e Cassiano – Instrumental”, tendo Zé Mulato na viola e Cassino no violão, surpreende com primorosas interpretações de antigos sucessos da dupla, além de gravações inéditas, com destaque para “Tarde no Sertão” (Zé Mulato e Daniel Fernandes), “Sapo Cururu” (Braz da Viola), “Saudade de Matão” (Antenógenes Silva, Jorge Gallati e Raul Torres) e “Meu Céu” (Xavantinho e Zé Mulato), apenas para citar algumas.

Trata-se de um maravilhoso trabalho, indispensável não apenas a quem já conhece e aprecia a dupla “Zé Mulato e Cassiano”, como também para quem deseja conhecer melhor a trajetória dos dois irmãos da Zona da Mata Mineira, já que o DVD mostra preciosíssimas imagens do início da carreira da dupla, além de apresentações em diversos programas de música caipira (como por exemplo, o Viola Minha Viola, apresentado por Inezita Barroso, na TV Cultura de São Paulo).

Esse maravilhoso álbum com dois CD’s e DVD pode ser adquirido diretamente da VBS-Viola Brasileira Show acessando o site, ou pelo telefone (61) 3301-1267 – 3301-1267, diretamente com Volmi Batista.

Músicas:

1 – Coração Vadio – (Zé Mulato)

2 – A represa – (Zé Mulato)

3 – Previsão do Tempo – (Zé Mulato)

 

Jeferson Martins – (61)98415-3221

1 – Romance de um Peão Posteiro – (Luiz Diaz)

2 – Diário de um Fronteiriço – (Érlon Péricles)

3 – Outra Campereada – (Pirisca Grecco / Túlio Urach)

 

Culinária Campeira – Tia Léo: Cordorna Recheada

Naum Fialho – Diretor da API

 

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